A vitória mais bela que se pode alcançar, é vencer a si mesmo. A frase de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, é um retrato da história de vida de Paulo Henrique Amaral da Silva. O jovem de 22 anos, que trabalha como auxiliar de informática na área de Tecnologia da Informação da ASAV, buscou no esporte a motivação para ultrapassar seus próprios limites e transcender barreiras dantes praticamente intransponíveis.

Paulinho, como é conhecido por todos, nasceu prematuro, de apenas seis meses de gestação. Sem os pulmões plenamente formados, no hospital, teve três paradas cardíacas. Quando seus pais receberam a notícia de que o filho – ainda recém-nascido – havia sido diagnosticado com paralisia cerebral, ouviram dos médicos a possibilidade de ser uma criança que viveria em estado vegetativo, e que o casal, com o passar do tempo, se acostumaria a situação. As internações e tratamentos, se tornaram rotina de Paulo Henrique. “Metade da minha vida passei no hospital. Fiz onze cirurgias, além de ter realizado fisioterapia por vinte anos”, diz.

No entanto, a persistência dos pais, aliada à garra e a vontade de vencer de Paulinho, foram fundamentais para que ele ultrapassasse as mais variadas adversidades, vendo no judô o caminho de superar os medos e concentrar as forças na busca de novos horizontes. “Eu sempre quis praticar alguma arte marcial, porém, tinha medo de me machucar. Foi aí que conheci a Fernanda, uma amiga, praticante de Jiu Jitsu. E ela me deu a ideia de praticar judô, pois, com ele, aprenderia a cair e correria menos riscos de me machucar. Ela me levou até à Associação De Judô Gaba, aqui em São Leopoldo, onde fui muito bem recebido pelos senseis Batista e Ferreira e, desde então, me apaixonei pelo esporte.  Já são três anos, dando ippon no preconceito”, diz ele, ressaltando a importância da fé, do foco e da determinação em suas conquistas.

Segundo Paulinho, foi através do judô que melhorou a coordenação motora e, principalmente, a autoestima. “Minha rotina diária, antes do judô, era basicamente dedicada às sessões de fisioterapia. O judô também não deixa de ser uma “fisioterapia” para mim, só que muito mais prazerosa, pois me traz novas perspectivas. Eu sempre digo, que nunca melhorei tanto fisicamente, como melhorei com o judô, tendo em vista que já pratiquei natação por 10 anos e, também, futebol”, destaca.

Hoje, aquela criança que, segundo os médicos, não conseguiria dar nem os primeiros passos, coleciona conquistas e traça novos caminhos, tanto na vida profissional, quanto na pessoal. “Participo frequentemente dos campeonatos organizados pela minha própria academia. No total, já foram oito disputas, nas quais conquistei três medalhas de ouro, quatro de prata e uma de bronze. Estou cursando Gestão de TI na Unisinos. Mas, por causa do judô, penso em fazer futuramente o curso de Educação Física, pois, quando me tornar faixa preta, saberei lidar com todas às pessoas, inclusive com aquelas que têm limitações semelhantes ou iguais às minhas. Um dos meus maiores sonhos é chegar às paraolimpíadas, pois o impossível, é só questão de opinião”, frisa Paulinho.

Fonte: Assessoria de Comunicação ASAV

Fotos: Divulgação e Arquivo pessoal