Um evento que abordou dois assuntos de extrema sensibilidade dentro da sociedade contemporânea: o refúgio e a violência sexual de gênero. O Seminário ‘Violência Sexual Baseada em Gênero nas populações em deslocamento forçado’ – realizado em parceria entre o Serviço Jesuíta e Migrantes e Refugiados Porto Alegre (SJMR-POA), o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e a Fundação Escola Superior do Ministério Público do RS (FMP) – aconteceu na segunda-feira (25/11), na sede da FMP, em Porto Alegre, e trouxe à tona duas das questões de extrema relevância no atendimento prestado à população de migrantes e refugiados.

Na fala de abertura do Seminário, a Oficial de Reassentamento de Refugiados do ACNUR, Gabriela Cortina, apresentou o trabalho realizado pela Agência da ONU – parceira do SJMR-POA. “A violência sexual baseada em gênero envolve inúmeras violações dos direitos humanos e está, muitas vezes, ligada a relações desiguais de gênero dentro das comunidades ou a abusos de poder. Uma proteção efetiva só pode ser estabelecida prevenindo este tipo de violência, identificando riscos e respondendo aos sobreviventes, fazendo o uso de uma abordagem multissetorial e coordenada”, frisou Gabriela.

O encontro fez parte da programação dos ‘Diálogos de Formação sobre a Proteção e Integração de Pessoas em Mobilidade’, que há cinco anos reúne integrantes da rede de acolhimento a migrantes e refugiados no Rio Grande do Sul e contou com três mesas de diálogo. No primeiro momento, o grupo participou de um bate-papo sobre o tema ‘O impacto do deslocamento forçado na saúde mental de migrantes e refugiados’, com a psicóloga Drª. Sandra Fagundes; em seguida tratou sobre ‘Crianças Refugiadas’, com a profª. Johana Cabral. Por último, uma videoconferência com o doutorando e mestre em Antropologia Social, Vitor Andrade, que abordou o trabalho ‘Refúgio por motivos de orientação sexual: um estudo antropológico na cidade de São Paulo’.

Mediadora de uma das mesas do Seminário, a coordenadora de projetos do SJMR-POA, Karin Wapechowski, destacou que “essa atividade nos convida a uma reflexão sobre os motivos que causam a perseguição e, consequentemente, acarretam no refúgio. Entre as discussões, podemos destacar a explanação sobre os traumas e como cuidar de uma pessoa que já está traumatizada pelas questões do refúgio e da violência de gênero. Os temas tratados no seminário são de grande valia para nós, profundos e intrinsicamente ligados à operação realizada por todos nós que integramos o SJMR Brasil, servindo para desestigmatizarmos a questão da assistência, trazendo a consciência para nossa rede de apoio de que essas essas vítimas têm o mesmo direito de acessar mecanismos de proteção assim como qualquer brasileiro”, disse Karin.

Fonte: Assessoria de Comunicação ASAV

Fotos: Divulgação

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