SEMEA: evento sensibiliza comunidade sobre o universo amazônico

O campus Unisinos São Leopoldo recebeu de 16 a 18 de outubro, a Semana de Estudos Amazônicos (SEMEA), evento que teve por objetivo sensibilizar a comunidade para os principais temas que englobam o universo amazônico. Promovida pelo Observatório Luciano Mendes de Almeida (OLMA), a SEMEA está na terceira edição e mobilizou lideranças indígenas, quilombolas, ribeirinhos, missionários e educadores em prol dos aspectos sociais, ambientais e econômicos que envolvem a região amazônica.

A abertura oficial da SEMEA contou com um ritual indígena, conduzido por pajés de tribos da Amazônia, que realizaram a consagração do espaço feito especialmente para o evento pelos estudantes dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil da Unisinos.

Ao longo dos três dias de atividades, a SEMEA trouxe oficinas, mesas-redondas, rodas de conversas, palestras e atividades culturais. Na programação, destaque para painéis sobre as Frentes Apostólicas na Amazônia, além de espaços de reflexão sobre a cultura, os desafios e o bem-estar dos povos amazônicos.

Na abertura, ainda foi entoado o Hino Nacional na língua tikuna por Dijuena Tikuna que emocionou a plateia. O secretário executivo do OLMA, Luiz Felipe Lacerda, organizador do evento, explicou que “são mais de 45 mil tikunas no Brasil. Essa é a língua indígena mais falada no país”.

O secretário para Justiça Socioambiental da Província dos Jesuítas do Brasil, Pe. José Ivo Follmann, fez alusão ao cenário político atual. “Ouvir o Hino Nacional em outra língua brasileira é algo profundamente mobilizador no momento histórico que vivemos”, afirmou.

Presente no encontro, o Delegado para a Preferência Apostólica Amazônia, Pe. David Romero, salientou a importância da SEMEA para despertar a atenção de todos para a região. “Essa semana é muito significativa, pois é tempo de Kairós na Amazônia. Em 2013, tivemos a eleição do ‘papa verde’, o Papa Francisco. Em 2014, foi o ano do nascimento da REPAM (Rede Eclesial Pan-Amazônica). Em 2015, foi publicada a Encíclica Laudato Si’, que traz a exortação de cuidar da casa comum, do nosso planeta, dos seres vivos, da fauna, da flora, dos povos. Em 2019, haverá a abertura oficial do sínodo, mas ele já está acontecendo. Essa semana faz parte desse processo sinodal, olhando para a Amazônia, trazendo experiências, testemunhos, compartilhando tantas coisas bonitas, com tantas pessoas de diversas realidades e culturas”, disse o jesuíta.

Referência no país e no exterior nas discussões ambientais, a antropóloga e assessora da REPAM, Moema Miranda, enfatizou que espaços como a conferência possibilitam a escuta, o encontro e o mútuo aprendizado. “A SEMEA nos traz essa possibilidade de semear, nessa ideia tão cara ao Papa Francisco, de que nós nos deixemos evangelizar, que não sejamos somente portadores da boa nova, mas também aqueles que abraçam e que abrem o coração para que ela seja semeada. A SEMEA é parte desse tempo novo, em que a esperança teimosa resiste apesar de tudo”, disse Moema.

As atividades chegaram a diferentes públicos: os universitários tiveram acesso a uma Exposição sobre os Mártires da Amazônia, nos campi Unisinos Porto Alegre e São Leopoldo, os alunos do Ensino Fundamental do Colégio Anchieta e os educandos da Fundação Fé e Alegria- RS fizeram a Oficina de Sensibilização sobre a Cultura Amazônica e a Oficina de musicalidade, corporalidade e Mística Amazônia. Uma feira de produtos indígenas oferecia colares, cestas, pulseiras, bolsas e instrumentos musicais produzidos por diferentes tribos.

A SEMEA trouxe questões importantes para a região amazônica, tratando sobre noções de fronteira, biomas, bacias amazônicas e como são feitas essas divisões, convergindo experiências, vivências, bem como as relações entre humanos e o meio ambiente, como descreveu o Superior do Núcleo Apostólico Manaus, Pe. Vanildo da Silva Filho. “Estamos vivendo um momento muito especial e relevante para a sensibilização daquilo que pensamos ser deixar a Amazônia entrar em nós, para conhecermos a sociodiversidade, os seus aspectos históricos e culturais, a luta dos povos tradicionais dessa região, para que aprendamos a conviver com os povos que habitam a região, sobretudo os indígenas”, frisou o sacerdote.

Fonte: Assessoria de Comunicação Unisinos e ASAV

Foto: Rodrigo W. Blum/Unisinos e Arquivo Pessoal

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By | 2018-10-26T12:16:26+00:00 outubro 18th, 2018|Ação Social, Destaque|