A realidade e a violência enfrentadas pelas mulheres presentes em zonas de conflito ao redor do mundo, foram temas centrais do Seminário sobre Violência Sexual Baseada em Gênero na Mobilidade Urbana, realizado no sábado (24/9), no Plenário Ana Terra, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Promovido pela Associação Antônio Vieira, por meio do Programa Brasileiro de Reassentamento Solidário, o evento teve a participação de profissionais das áreas da assistência social e da saúde, estudantes, entre outros, e contou com relatos impactantes trazidos pelas palestrantes Débora Noal e Pâmela Marconatto Marques.

Diante de uma plateia atenta, a psicóloga Débora Noal contou histórias que vivenciou ao fazer parte de iniciativas como a organização internacional Médicos sem Fronteiras, na qual trabalhou em países da África subsaariana, como a República Democrática do Congo, a Líbia e o Quirquistão. “Em muitos países, a mulher que foi violentada é privada, inclusive, do convívio com os filhos, com a família. Ao serem violentadas, se tornam um ‘lixo social’. Na maioria das vezes, as crianças que nascem desses relacionamentos forçados, não são assumidas socialmente e, por terem essa relação (com a violência sexual), nem as próprias famílias assumem. A mulher violentada é tratada como prostituta… Essas pessoas não contam com o apoio de nenhum tipo de lei, nenhum tipo de proteção. Nosso trabalho é apoiá-las a se tornarem ‘seres humanos’ de novo, em um outro lugar do mundo, que seja. Buscamos ajudar com que sonhem novamente”, disse Débora.

Já a cientista social e advogada Pâmela Marconatto Marques compartilhou as experiências a partir do Projeto Brasil-Haiti, que integrou entre os anos de 2007 a 2011, salientando as dificuldades e a exploração às quais são expostas as mulheres do país caribenho. “A informalidade é a atividade econômica principal e é onde estão empregadas as mulheres no Haiti.  A venda de produtos é um trabalho ligado às mulheres, considerada uma atividade feminina por excelência. São as mulheres que produzem e que estão ligadas à geração de renda. Ser mulher no Haiti é ter atribuições pesadíssimas. Elas estão envolvidas com a geração de uma vida boa para a família. São o ‘sal da terra’ no Haiti”, explicou Pâmela. Segundo ela, a extrema pobreza que assola grande parte da população haitiana (80% vive com menos de um dólar por dia), leva muitas famílias a deixarem seus filhos ainda pequenos para viverem junto de parentes com melhor poderio econômico, com o intuito de que eles tenham acesso à educação (83% das escolas haitianas são privadas); no entanto, a maioria das crianças acaba se tornando alvo de abusos por parte dos familiares. “As meninas são levadas para casas de parentes, com a promessa de que terão acesso ao estudo. Lá, fazem as mais pesadas atividades da casa. A exploração infantil doméstica é geralmente associada às mulheres, onde as meninas são utilizadas para a iniciação sexual dos meninos da casa, por exemplo”, ressaltou.

Uma exposição fotográfica complementou o evento, trazendo imagens sobre a vida das mulheres em zonas de conflito, através dos olhares e das lentes da palestrante Pâmela Marconatto Marques e da fotógrafa Tânia Meinerz.

O Seminário sobre Violência Sexual Baseada em Gênero na Mobilidade Urbana contou com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), da Prefeitura Municipal e da Câmara de Vereadores de Porto Alegre.

Fonte: Assessoria de Comunicação ASAV

Fotos: Divulgação/ASAV

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