Primeiro grupo de venezuelanos desembarcou em solo gaúcho

O Rio Grande do Sul já é o novo lar de 125 migrantes venezuelanos, que desembarcaram em solo gaúcho às 20h10min horas desta quarta-feira (5/9), quando o avião da Força Aérea Brasileira tocou a pista do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre. A chegada do grupo ao estado faz parte do processo de interiorização, parceria entre Governo Federal, prefeituras de Canoas e Esteio, ACNUR e ASAV, que tem por objetivo proporcionar melhores condições aos migrantes venezuelanos que buscam recuperar a dignidade, vivendo e trabalhando em território brasileiro.

O grupo embarcou em três ônibus do Exército, rumo à Esteio, primeira cidade a receber os migrantes venezuelanos no estado. Profissionais de diferentes áreas integram o grupo de migrantes venezuelanos que chegaram ao estado, como advogados, engenheiros, cozinheiros, pedreiros, soldadores, sushi man, entre outros que, a partir da próxima semana, começam a buscar colocação profissional no mercado gaúcho.

O Ministro do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame, acompanhou o grupo desde a saída de Roraima, ainda na madrugada desta quarta-feira e se mostrou sempre solícito, até a chegada aos alojamentos, por volta da meia noite da quinta-feira. Em sua fala, Beltrame destacou o apoio que a população gaúcha já vem dando aos migrantes e conta que o prefeito do município de Chapada, na região norte do Rio Grande do Sul, já ofereceu 50 vagas de emprego para os venezuelanos.

A recepção na cidade de Esteio foi preparada pelos membros da Igreja Apostólica do Brasil, com um jantar especial, típico da Venezuela. “Para mim, é motivo de muita alegria e estou emocionada por este momento que estamos tendo na nossa cidade de Esteio e no Rio Grande do Sul. Não devemos fazer o bem apenas para as pessoas da comunidade de nossa cidade, mas também para os demais”, disse Nara Rejane Lambeth, esposa do bispo John Lambeth.

Logo após o jantar, o grupo foi levado ao alojamento em que irá residir, no bairro Tamandaré. Em entrevista a um veículo de imprensa, o jovem Enoch Gamaliel conta que saiu da Venezuela devido ao caos social no qual o país se encontra. “Primeira coisa que veio em minha cabeça foi ajudar a minha família. A situação de lá é muito difícil agora. Você pode trabalhar muito (Enoch tinha três empregos no país), mas mesmo assim não vai conseguir o suficiente para ajudar sua mãe, seu pai, seus filhos… Meu avô não tinha comida, assim como meu vizinho. Um dia, peguei minha mochila e decidi viajar para o Brasil”, conta o jovem de 23 anos.

A vinda do grupo, que estava prevista para esta quinta-feira (6/9), foi antecipada, em virtude do cronograma de transporte de migrantes para diversos locais do Brasil. Outros três voos da FAB chegarão ao estado entre os dias 12, 13 e 27 de setembro. Ao todo, 646 migrantes venezuelanos virão para o Rio Grande do Sul, sendo que 425 residirão em Canoas e outros 221 em Esteio.

Segundo o prefeito de Esteio, Leonardo Paschoal, que esteve em Roraima, ao chegar no estado do norte do país, não há como não se ter um choque de realidade muito grande, mas salientou os esforços dos governos para auxiliar os migrantes venezuelanos a recomeçarem suas vidas. “Conheci pessoas de um bom nível cultural e que hoje se submetem a condições muito difíceis. Mas o trabalho em Roraima está muito bem organizado, com uma operação gigantesca. Estou convencido que se parte das pessoas que estão contra esse processo, passassem ao menos um dia lá, mudariam sua opinião. Admiro a coragem desses 125 homens que aqui chegam”, frisou Paschoal.

Fonte: Assessoria de Comunicação ASAV

Fotos: Ana Klein/ASAV

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By | 2018-09-12T18:50:36+00:00 setembro 6th, 2018|Ação Social|