Os jogos foram amistosos, mas as disputas foram acirradas entre as equipes que se esforçaram até os segundos finais da competição. Esta foi a síntese do Torneio Amistoso da Integração, campeonato em que pessoas em situação de refúgio e migrantes participaram no último domingo, dia 30/07. Realizado no SESC Itaquera, os seis times mistos que integraram a competição foram formados por homens e mulheres justamente para que o objetivo da proposta fosse concretizada: integrar os novos moradores da cidade por meio da prática esportiva, independetemente de seu gênero, idade ou status migratório.

Organizada pelo ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, em parceria com a organização África do Coração e com o SESC-SP, a quarta edição da competição foi muito disputada e só foi decidida nos minutos finais dos jogos. Aliás, a história poderia ter sido outra.

“Eu quase fiz aquele gol, que mudaria tudo, mas errei o chute e a bola foi para fora. Para o próximo ano vou acertar o pé para que minha equipe consiga as vitórias, mas a participação aqui hoje já foi muito legal. Isso foi importante para fazer com que a gente se distraia um pouco, converse mais e também consiga fazer o corpo trabalhar, né?”, disse a angolana Gracia, que há oito meses mora no Brasil.

Para que os jogos pudessem acontecer, muitas reuniões e acertos foram promovidos pela organização África do Coração e seus parceiros. Em especial, regras mais integradoras fizeram com que mulheres e homens dividissem as responsabilidades pelos esforços da equipe, jogando lado ao lado e forma respeitosa e colaborativa. Para um dos organizadores da competição, o refugiado sírio Addul Baset, essa questão é um grande diferencial do campeonato. “Nós realizamos a Copa para quebrar as barreiras que ainda podem existir no pensamento de algumas pessoas que são machistas e racistas. Aqui no Brasil todas as pessoas têm direitos iguais e isso é uma grande conquista quando se pensa em justiça e paz. A participação de mulheres jogando com os homens, de refugiados com migrantes, reforça que todos somos pessoas em busca de uma vida digna”, disse Abdul, que vive no Brasil há três anos e, pela organização do evento, também suou a camisa.

As pessoas que disputaram os jogos vivem atualmente em casas de acolhida em São Paulo, sendo elas a Missão Paz, Terra Nova e Sefras, Associação Palotina, Instituto Lygia Jardim e os Centros de Acolhida para Imigrantes da Bela Vista e do Pari. A final foi justamente disputada entre os dois Centros de Acolhida, tendo sido vencido pela do Pari, pelo placar apertado de 2 x 1.

Ao longo dos jogos, o SESC Itaquera propiciou às crianças que foram acompanhar seus pais jogarem atividades de lazer na ampla estrutura da unidade, além de outros jogos em espaços recreativos. Já a Cruz Vermelha de São Paulo forneceu o serviço de Reestabelecimento de Laços Familiares (RLF), em que um cadastro é feito por quem tem interesse de possa buscar familiares desaparecidos em outros países. A empresa Sodexo, líder mundial em Serviços de Qualidade de Vida, também apoiou a realização da 4ª edicação da Copa de Integração, fornecendo kits de alimentação para todas as pessoas que disputaram a competição.

O próximo evento esportivo de maior escala promovido pelos parceiros ACNUR, África do Coração, Caritas São Paulo, Netshoes e Sodexo é a realização da já consagrada Copa dos Refugiados, que terá início no dia 13 de agosto, domingo, a partir das 10h00, no Parque da Aclimação. A Copa dos Refugiados será disputada por 16 seleções compostas por pessoas refugiadas que residem em São Paulo, com a final marcada para o dia 27, no Estádio Municipal do Pacaembu.

Fonte: ACNUR