A realidade de estudos à distância, solução de apoio pedagógico encontrada devido ao isolamento social imposto pela pandemia do coronavírus (COVID-19), traz consigo a praticidade da aprendizagem na segurança e no conforto dos lares, mas perpassa por um novo cotidiano, envolto por uma atmosfera de espera e de incertezas frente à crise na saúde mundial. Diante deste contexto e cientes das inquietações que possam surgir junto às comunidades educativas, as instituições de ensino da Rede Jesuíta de Educação vêm trazendo dicas e desenvolvendo diversas iniciativas com foco na saúde física e emocional dos estudantes e das famílias.

 

A importância da educação postural na aprendizagem

Considerando o cansaço que inevitavelmente se instala devido ao formato de aulas remotas, o Colégio Diocesano, de Teresina (PI), inseriu um intervalo de 10 minutos entre as aulas, para que os alunos façam alongamentos e relaxem. O projeto foi desenvolvido pelo Serviço de Psicologia Escolar, em parceria com o departamento de Educação Física, incentivando práticas de ginástica laboral por meio de vídeos gravados pelos professores da disciplina, orientando estudantes e professores sobre tipos de alongamentos que podem ser feitos em casa e, principalmente, a respeito da postura correta de sentar-se para estudar e trabalhar. “A má postura pode causar uma série de problemas futuros, como dores nas costas e na região do pescoço, inflamações dos tendões, fadiga e até desvios posturais”, pontua a professora de Educação Física, Maysa Lima.

Para evitar o surgimento desses problemas, é recomendado que a pessoa mude a sua postura durante os intervalos de 10 minutos, que levantem um pouco, caminhem e, se possível, façam os alongamentos, uma vez que eles permitem evitar desconfortos, ajudam a ativar a circulação e mobilizam as articulações em toda a sua amplitude, reduzindo assim a tensão.

A psicóloga Renata Laís, que compõe o grupo de profissionais idealizador do projeto, ainda explica que a iniciativa enxerga o estudante como um todo, entendendo que a saúde física afeta a mental e vice-versa. “Uma das áreas de pesquisa da psicologia é a ergonomia, que estuda a postura e como ela afeta na qualidade de trabalho. Por conta da semelhança das aulas remotas com o trabalho em home office, esse estudo também pode ser aplicado a situação atual dos alunos. Queremos proporcionar qualidade de vida e saúde tanto aos nossos professores como aos estudantes”, comenta.

 

Brincadeira é coisa séria

A permanência prolongada em casa, a alteração na rotina e a restrição aos espaços ao ar livre impactam a vida de todos, e em especial a das crianças. Para elas, o brincar livre e com espontaneidade é fundamental para o desenvolvimento do imaginário e da criatividade, além de promover a autonomia. Em tempos de isolamento social, de múltiplas demandas, é importante flexibilizar algumas regras e adaptar as brincadeiras, lembrando que o momento está, também, favorecendo a convivência.

De acordo com Rosanita Vargas, Orientadora Educacional da Educação Infantil do Colégio Anchieta, de Porto Alegre (RS), estabelecer um diálogo com respeito e acolhimento é uma alternativa para manter a conexão com as crianças e engajá-las no cotidiano. “Explicar a rotina de trabalho do adulto, os momentos de estarem juntos e os momentos em que é necessário distanciar-se, estabelecendo fronteiras, é saudável e necessário”, destaca.

Firmar uma rotina, por mais flexível que seja, é importante, pois possibilita à criança o desenvolvimento da noção de tempo e o sentimento de segurança, sendo um fator organizador para a criança e para a família, mostrando que há momentos negociáveis e outros, não. “Tudo vai depender do valor que cada família dá para determinado momento. Por exemplo: se fazer as refeições juntos, sentados à mesa, é negociável, ok. Mas, se para os valores da família é imprescindível este momento, então se mantém. É comum perguntar às famílias: o que para vocês é negociável e o que não é? Está aí uma interessante pista para se saber o que se flexibilizar”, esclarece Rosanita.

A orientadora lembra que brincar é um direito da criança, sendo um momento importante da infância. “É fundamental possibilitar que a criança se coloque como protagonista de seu próprio desenvolvimento. É por meio do brincar que ela amplia a sua leitura de mundo, seus repertórios, o vocabulário, desenvolve habilidades sociais, reconhece e identifica as suas emoções, explora sentimentos, valores e aprende a lidar com o estresse”, explica.

 

Família e escola reafirmam parceria para avanço da aprendizagem em tempos de quarentena

Para discutir as metodologias e rotinas adotadas durante o período de distanciamento social, o Colégio Antônio Vieira, de Salvador (BA), realiza reuniões virtuais com as famílias dos alunos via plataforma Teams, nas quais expõe aos pais e responsáveis de cada uma das turmas questões do processo de adaptação à nova rotina, como o uso de tecnologias para aulas online. Elas também apontam dificuldades enfrentadas inicialmente, indicando sugestões e compartilhando experiências acerca de soluções criativas que se alinham à proposta pedagógica da escola para a aprendizagem de crianças e jovens.

“Estamos vivendo um cenário diferente para todos e nem todos os pais têm a experiência de um educador, por isso está sendo bem legal a escola se posicionar como ouvinte das famílias nesse momento”, diz a administração e profissional autônoma Carla Alves, mãe da aluna Maria Clara, do 1º ano do Ensino Fundamental. “É um momento que está sendo difícil tanto para as famílias quanto para a escola, mas as aulas e atividades têm sido muito benéficas para as crianças ao estabelecer uma rotina de aprendizagem e, na reunião, é possível expor nossas impressões para avançarmos juntos com a escola”, conta a arquiteta Flávia San Juan, mãe de Pedro, da turma A.

Nos encontros virtuais, os professores, coordenadores pedagógicos e orientadores educacionais explicam as finalidades das metodologias adotadas pelo Vieira para crianças, respeitando a faixa etária das turmas também para as aulas online. A equipe ainda esclarece as famílias sobre recomendações dos conselhos Nacional e Estadual de Educação, assim como da Sociedade Brasileira de Pediatria, além de orientações dos sindicatos das escolas e professores.

A professora Adriana Novis, coordenadora pedagógica do 1º e 2º ano Ensino Fundamental, explica que é um momento de se reinventar e ressignificar o processo educativo, com a parceria das famílias, sem perder de vista a intencionalidade das atividades pedagógicas “o objetivo dessas reuniões é fortalecer o vínculo com as famílias e refletir sobre a importância de construirmos juntos novas possibilidades de trabalho pedagógico, a partir desse espaço de trocas. Nós acreditamos que esse diálogo é muito potente nesse processo de aprendizagem, em tempos tão desafiadores”, destaca.

 

Fonte: Assessorias de Comunicação Colégio Anchieta, Antônio Vieira e Diocesano

Fotos: Divulgação