O Centro Social Padre Arrupe (CSPA) desenvolve diariamente diversas atividades que visam promover o bem-estar físico e mental dos idosos, proporcionando não só a melhoria na qualidade de vida deles, como também o despertar de novas aptidões. Este ano, assim como as demais instituições, o Centro Social teve de se adequar de forma rápida às demandas dos novos tempos causadas pela pandemia da COVID-19.

Uma vez que os idosos fazem parte do grupo de risco, as atividades presenciais do Centro estão suspensas desde o dia 17 de março, então coube à equipe diretiva buscar novas formas de continuar realizando as ações que, para os idosos, são essenciais. Algumas atividades como hidroginástica se tornaram inviáveis, mas outras, como as aulas de dança e as oficinas de ginástica funcional, música, artesanato, vida e psicossocial, ganharam uma nova e mais moderna roupagem.

Desta forma, a partir do dia 25 de maio, as atividades passaram a acontecer de forma totalmente virtual. Para apoiar os idosos nessas mudanças – e também para continuar o acompanhamento a cada um deles – foi desenvolvido o serviço de teleatendimento. “Procuramos saber como os nossos usuários estão, por meio de contato telefônico e via WhatsApp, e buscamos ajudá-los tirando dúvidas ou qualquer outro problema que possam ter”, afirma a assistente social do Centro, Lívia Sousa.

A mudança do presencial para o meio virtual, de acordo com a coordenadora pedagógica do Centro Social, Rejaneide Lopes, foi de rápida adequação. “No início os idosos ficaram um pouco apreensivos, uma vez que eles não sabiam se conseguiriam usar as ferramentas. Mas, se adaptaram bem mais rápido do que nós imaginávamos e alguns já conseguem utilizar o computador sozinhos”, ela conta.

Para obter uma maior organização, cada professor criou um grupo no aplicativo WhatsApp para manter contato com sua turma. Nele, além dos idosos manterem a conversa em dia, são passadas informações sobre as aulas e o link para que assistam as lives das oficinas, que são promovidas por meio do aplicativo e plataforma virtual Zoom. Por mais que os professores mantenham a frequência das aulas, elas não são obrigatórias devido ao fato de que nem todos possuem aparelho celular e/ou acesso à internet.

A coordenadora pedagógica ainda explica que a ideia de retornar às atividades de maneira virtual partiu de uma iniciativa dos próprios professores, que buscavam manter os idosos entretidos durante o período de isolamento. Com a adesão do modelo aprovada, coube aos professores e a toda a equipe usarem a criatividade ao seu favor. “Em oficinas como a do artesanato, por exemplo, exige-se materiais e muito tempo para preparar a peça. Por isso, a professora produz um vídeo, envia pelo grupo de conversa e orienta os idosos a produzirem um item o mais semelhante possível, com os materiais que possuem em casa. Eles respondem com as peças que criaram, sempre bastante entusiasmados”, completa Rejaneide.

A improvisação também está presente nas lives das oficinas voltadas ao movimento. Nelas, devido ao fato dos idosos não possuírem em casa aparelhos próprios para atividades físicas, eles são orientados a usarem bolas, cadeiras e outros materiais que possuem, para auxiliá-los na hora de se movimentar. Itens básicos, mas igualmente eficazes na prática de exercícios.

Para a dona Verônica Maria Soares, de 69 anos, o retorno às atividades físicas foi um grande presente. “Tenho artrose e mal de Parkinson. É graças aos exercícios oferecidos pelo Centro que meus tremores agora são quase imperceptíveis. Sinto-me fortalecida, física e mentalmente. O trabalho desenvolvido lá é essencial para o meu bem-estar”, conta.

Dona Benedita Augusta de Oliveira Costa, de 70 anos de idade, compartilha do mesmo sentimento. Ela afirma que, além do bem-estar físico, as lives fizeram preencher o vazio deixado pela falta da sua rotina. “Eu gosto bastante das aulas. Antigamente, antes das aulas remotas começarem, buscava continuar fazendo meus exercícios sozinha. Mas agora, com as lives, eu tenho acompanhamento e até estou aprendendo a mexer no computador sozinha. O retorno melhorou até mesmo na forma que estava me sentindo, pois sentia muita falta do cotidiano do Centro”, ressalta.

A saúde mental dos usuários também é algo prezado pela equipe do Centro, com os encontros semanais em grupos e individuais, dependendo da situação de cada um deles. “Levamos em consideração que esse é um período de muita vulnerabilidade. Então criamos grupos no Zoom voltados para o diálogo, discutindo temas e promovendo atividades adaptadas para essa realidade. Quando percebemos casos de idosos que apresentam sinais de estar desenvolvendo um quadro mais frágil, fazemos um atendimento individualizado”, pontua a psicóloga do Centro, Flora Fernandes Lima.

Buscando animá-los ainda mais, foram realizados dois grandes eventos virtuais. Ambos transmitidos ao vivo pelo YouTube, direto das instalações do Centro Social Padre Arrupe. O primeiro deles foi o Arraiá, promovido no dia 30 de junho. Na oportunidade, os idosos puderam aproveitar direto de suas casas uma festa com muita música, diversão e homenagens. “Nós decoramos o ambiente e pedimos que eles se caracterizassem e decorassem a casa também. Todos eles se divertiram muito e levaram bem a sério o pedido: prepararam a mesa, se pintaram e juntaram a família. No decorrer da festa, eles mandavam vídeos, mensagens e nós interagíamos ao vivo com eles. Foi muito divertido”, lembra a coordenadora pedagógica, Rejaneide.

O sucesso da live, que hoje contabiliza mais de 700 visualizações, deu origem ao segundo e mais recente evento: a live em celebração ao Dia de Santo Inácio de Loyola, em 31 de julho. “Muitos deles se emocionaram e prepararam seu altar para celebrar em casa o patrono da Companhia de Jesus. Recebemos muitas fotos deles acompanhando a live e fazendo suas preces. Foi um momento bem especial e que mostrou que mesmo distantes, nós todos estamos unidos”, finaliza Rejane.

Para a dona Francisca Rodrigues do Nascimento Santos, de 69 anos, embora a saudade de ver a todos pessoalmente seja grande, esse vínculo entre o Centro Social Padre Arrupe e seus usuários continua mais forte do que nunca. “Hoje eu me sinto uma pessoa feliz e saudável porque no Centro encontrei profissionais capacitados para cuidar de mim. Me sentia sozinha e para baixo antes de encontrar esse lugar. Agora só tenho a agradecer a Deus e a todos os profissionais que nos tratam muito bem”, afirma.

Fonte: Assessoria de Comunicação ASAV

Fotos: Arquivo

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